quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Schopenhauer reflete sobre a corrupção dos intelectuais das universidades

Schopenhauer e a imprecação contra a corrupção intelectual da filosofia universitária: uma polêmica extemporânea Schopenhauer and the imprecation against the intellectual corruption of the university philosophy: a polemic extemporaneous Talvez jamais a filosofia acadêmica tenha recebido uma imprecação tão vigorosa como a registrada por Schopenhauer em Sobre a Filosofia Universitária. Suas diatribes contra Hegel e seus epígonos evidenciam sua incompatibilidade intelectual para com a perspectiva hegemônica dominante no mundo acadêmico alemão do Oitocentismo. Considero que esse ensaio mantém a sua plena atualidade axiológica para a compreensão dos meandros corporativos que perpassam a estrutura acadêmica das instituições universitárias contemporâneas. Nessas condições, a proposta do presente artigo consiste em realizarmos uma reflexão sobre o caráter extemporâneo de tais críticas, contextualizando-a com as circunstâncias peculiares da atividade filosófica brasileira e suas promíscuas relações com os meios burocráticos, corporativos, econômicos e políticos alheios ao genuíno espírito de progresso do conhecimento. Por conseguinte, muito mais do que uma exegese sobre a filosofia de Schopenhauer, o presente texto se inspira livremente nas suas críticas ao academicismo e suas peculiaridades institucionais, circunstância que evidencia, muitas vezes, a ausência de um genuíno projeto cultural nas atividades universitárias. Schopenhauer e a imprecação contra a corrupção intelectual da filosofia universitária: uma polêmica extemporânea 101 O mal-estar da atividade universitária Schopenhauer, ao dissertar em Sobre a Filosofia Universitária acerca da situação na qual se encontrava a filosofia universitária da Alemanha oitocentista, considera que a atividade filosófica teria perdido o seu compromisso original de investigação da verdade e com as questões pertinentes aos grandes problemas da existência humana, em prol da sua adequação aos interesses políticos do Estado e suas instituições. Por conseguinte, o filósofo autêntico, que não pretendia submeter a sua singular visão de mundo aos parâmetros cerceadores da liberdade intelectual, tal como imposto pelo conservadorismo do Estado, por se guiar acima de tudo por sua consciência interior e suas inerentes capacidades racionais, simplesmente se mantinha distante daquele que certamente seria um dos principais aparatos de legitimação da política estatal, a universidade; esta, ao invés de proporcionar verdadeiramente a reflexão crítica, a busca pelo conhecimento, a investigação emancipada de preconceitos e dogmas e formação efetiva da cultura para a vida, motivava tão somente a afirmação de um conformismo intelectual, ocasionando, por conseguinte, a perda da capacidade de se pensar através da autonomia e da pujança pessoal perante uma estrutura institucional caracteristicamente “filisteia”. Se porventura um Estado vier a manifestar um interesse efetivo em auxiliar a Filosofia ou demais atividades intelectuais, o melhor modo de realizar esse nobre ideal seria através do seu compromisso formal em não interferir nos assuntos que somente dizem respeito ao mundo dos filósofos e dos pesquisadores comprometidos com o progresso do saber. Schopenhauer, sendo ainda mais radical nas suas reivindicações, considera que o Estado não precisaria nem mesmo promover ou subsidiar as atividades da Filosofia, tal como ocorre normalmente no âmbito das artes, através da prática do mecenato, quando algumas estruturas detentoras do poder financeiro de uma determinada sociedade patrocinam as atividades artísticas, em prol da afirmação do Estado como incentivador da cultura, granjeando assim, nas demais cortes do Ocidente, o estatuto de “cidade civilizada”, visto que existe a presença de manifestações artísticas sobre a sua égide. No caso da Filosofia, essa possibilidade de apoio técnico por parte do Estado deveria ser absolutamente obliterada, de modo que caberia aos poderes estabelecidos simplesmente exercer a “elevada” função de garantir a existência dessa poderosa ordem de pensamento, ainda que contestada pelos setores obscurantistas da sociedade, temerosos com o poder de influência exercido pela reflexão filosófica sobre a consciência dos homens. Portanto, o grande “mal” do Estado, para Schopenhauer, Schopenhauer e a imprecação contra a corrupção intelectual da filosofia universitária: uma polêmica extemporânea . Revista Voluntas: Estudos sobre Schopenhauer - Vol. 3, Números 1 e 2 - 1o e 2o semestres de 2012 - ISSN: 2179-3786 - pp. 101-109.Leia a íntegra em: http://www.revistavoluntas.com.br/uploads/1/8/1/8/18183055/v3-n12-7-renato_nunes_bittencourt.pdf

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